Armanda Alvaro Alberto: matrona do Festival Roque Pense!

Armanda Alvaro Alberto: matrona do Festival Roque Pense!

  O Coletivo Roque Pense! anunciou, no dia 25 de março de 2015, durante a sessão “Não Sou Obrigada” do Cineclube Mate com Angu, a escolha de uma das feministas mais importantes do país, Armanda Álvaro Alberto, como matrona do Festival Roque Pense! Como homenageada da segunda edição do festival, em 2013, a palavra de ordem SOMOS TODAS ARMANDA! expunha a identificação das mulheres resistentes da Baixada Fluminense com a feminista histórica, ao promover mudanças e inovações na região. Como a fundadora de uma escola que revolucionou a educação na America Latina o RP! traz um festival de cultura antissexista antes impensado para a região que hoje é líder, no Estado do Rio de Janeiro, nos casos notificados de violência de gênero. A cultura fez parte da tecnologia criada pela educadora, implantando a primeira biblioteca publica da região, o primeiro transmissor de radio em uma escola, e, curiosamente, o primeiro festival de musica popular protagonizado por mulheres! E não há como não pensar nas rockeiras do Festival Roque Pense! quando temos consciência da marginalização e da invisibilização do rock da Baixada Fluminense, em cidades hostis para as mulheres e para as rockeiras. No segundo circuito realizado pelo coletivo RP!, ainda na Praça do Skate, em novembro de 2011, o braço armado do Estado tentou até as 21:30h desligar o som das garotas ameaçando de prisão os organizadores do evento. Armanda sentiu esse braço pesar quando ficou presa ao lado de Olga Benário à época de Getulio Vargas. Mas o Estado interfere repressivamente de diversas formas. Com a segunda edição, em 2013, já anunciada para a mesma cidade o coletivo encarou retaliações políticas que o fizeram se retirar da cidade de Nova Iguaçu em protesto ao coronelismo imposto pela gestão pública local, que impediu a realização do festival na cidade, em uma marcante demonstração de retrocesso. Além da carta de repúdio o RP! participou da criação de um fórum independente junto a diversos coletivos culturais, para exigir a criação e cumprimento de políticas públicas para a cultura na cidade.   Já entre 2014 até março de 2015, mês da terceira edição do festival Armanda ainda se empenhava em levantar demandas para os movimentos locais. O capital  ameaçava a sua memória através da construção irregular e violenta de um shopping ao lado da escola histórica, que estava em processo de tombamento. De forma ilegal a iniciativa privada, com o aval do poder público local devastou a área do entorno da escola, derrubando a única área verde do centro da cidade de Duque de Caxias. De forma arbitraria essa construção, que ameaçava a própria estrutura do prédio e o ameaçava, foi paralisada por processos movidos pela sociedade civil organizada através do FORAS – Fórum de Oposição e Resistência ao Shopping. Ainda em processo a vigilância pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e de suma importância para a America latina é permanente e urgente, como a preservação da historia de Armanda.   Enquanto isso a terceira edição do festival enfrentava burocracias que dissimulam a má vontade política e a falta de compromisso com a coisa pública, em esforços para enfraquecer os movimentos culturais independentes, somado a uma profunda alienação sobre os princípios feministas, demonstrado ao pé da letra em um pensamento de Beauvoir: “O opressor não seria tão forte se não tivesse...

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